YIDISH
Primeiro
Olá, meu nome é Yidish Beker. Posso descrever qual foi minha profissão, se fui rica ou pobre, negra ou branca, casada ou solteira, se fui uma louca ou uma aventureira, porque isso tudo, mesmo que possa ter feito parte de mim, não é o que realmente me tornei. Quero que minha história seja transparente e real para você.
Poderá opinar, julgar ou concordar com o que contarei, mas lembre-se: Você também é um ser humano, e seres como eu e você também erra.
Então, se você pudesse escolher entre viver em uma sociedade que discrimina as suas atitude ou viver longe de quem ama, o que escolheria?
Você gostaria de viver em um momento de guerra ou fingir o que você não é?
Esses foram alguns dos meus desafios.
Sobreviver, seja a época que for, o país que for, você sempre enfrentará desafios e muitos provas para enfrentar sua jornada.
Convido você a viver esta minha experiência.
Meu nome é Yidish Beker, sempre sonhei que seria uma ótima atriz, que iria sair do meu país, mas a vida fez outro caminho...
Sou mulher, nasci no começo século XX, sou de família judaica, composta pelos meus pais e minha avó paterna. Até os meus 10 anos morávamos com minha avó paterna. Uma mulher que odiava as opiniões de outras pessoas, sempre era a certa, e queria que seu único filho seguisse os seus sonhos, não os dele. Por isso, queria que ele trabalhasse em sua loja de roupa. Ele aceitara, pois odiava contrariar sua mãe. Como sempre foi um homem comunicativo, sua loja era bem frequentada. Um dia conheceu uma cristã que trabalhava em uma loja próxima da sua. Essa mulher, que tinha apenas 20 anos não esperava encontrar um homem doce e muito bem humorado. Tiveram um breve namoro e resolveram casar. Minha avó odiava minha mãe desde o primeiro encontro. Isso fez com que meus pais se mudassem para Alemanha para possuírem uma vida longe dos problemas familiares e de minha avó.
Como meu pai era um ótimo costureiro resolvera montar um loja de roupa em um ótimo lugar em meu bairro. Era um lugar muito requisitado na região. Conseguira comprar bens, mas a saúde de meu pai ia piorando cada dia mais. Depois que eu nasci, possuíra enxaqueca. Apesar de jovem, as dores fortes na cabeça fazia ele trabalhar bem menos, mas como era um homem persistente dizia não ser nada. Minha mãe cuidava muito bem dele, respeitava sua religião e parou de falar mal de sua mãe, até guardar o sábado começou. Frequentávamos os mesmos lugares de muitos judeus na região. Cresci em um lar amoroso, meus pais trabalhavam, mas mesmo assim eram presentes.
Eu possuía uma família muito feliz, a não ser, a doença do meu pai que cada dia piorava e minha mãe começou sofrer por isso, mas nunca transparecia para mim, mas sabia que meu pai estava doente. Minha mãe fazia de tudo para eu não sofrer.
Então, fui morar em uma casa de suas amigas, Tia Ashira.
No começo foi difícil entender o porquê da mudança, tinha apenas 10 anos, e tia Ashira tinha muitos filhos de minha idade.
O contato com minha mãe quase não exista, só queria saber de trabalhar e cuidar de meu pai. Como era criança, isso não me fazia tanta falta.
Um dia de verão, minha mãe resolvera sair de bicicleta para se distrair. Vivia muito tempo no hospital com meu pai. Mas nesse dia resolvera fazer algo diferente de seu percurso. Se matar. Encontraram seu corpo em uma estrada. Tentou por muito tempo encontrar quem a matou. Mas dias depois, minha avó recebera uma carta com a seguinte mensagem:
Olá,
Agora você deve estar pensando o porquê de minha morte.
Venho pedir desculpas pelas minhas atitudes.
Sim, tentei ao máximo ser a nora que a senhora desejava. Ia com você fazer compras, ajudava a costurar, lavar roupa. Obrigada por me ensinar técnicas incríveis de crochê. Você me ensinou o seu tempero (mesmo passando a receita errada), além de tudo, agradeço o filho que teve. Além de um homem gentil e educado. Ele ama nossa filha e mesmo doente ele sempre pergunta e cobra o motivo de eu deixá-la de lado e só permanecer ao seu lado. Isso me deixa magoada, não posso oferecer amor aos dois. Minha filha tão nova, já lida sozinha em uma família desconhecida, estou com medo, mas confio na Ashira, além de boa mãe ela fará o melhor para minha menina. Não estou conseguindo equilibrar minha vida, cada dia ele piora, e ninguém vem ajudar a gente, nem a senhora. Eu sei que acontecera várias brigas, mas deixar seu filho de lado, só por não aceitar minha origem é algo terrível. Eu aceitei de uma forma normal suas crenças e não a julguei. Quero que mostre essa carta para Yidish quando estiver maior e mais consciente de que tudo isso, é para o bem dela. Mesmo você sendo a pior pessoa para confiar, sei que seu coração sobre ela é sincero. Via no seu olhar, quando ficava cuidando de minha pequena, o seu afeto transparecia. Espero que seu filho entenda minha decisão, não tenho mais forças, eu o amo muito, não quero que ele parta antes de mim. Não saberei sobreviver...
(lágrimas secas no papel)
Estou tomando essa decisão, deixarei todos os bens para nossa pequena. Diga que a amo.
Judith chora.
Dias se passaram, meu pai na mesma semana passou mal e faleceu por conta de sua doença.
A loja que possuíra ficou para Tia Ashira, que apesar de dona de muitos estabelecimentos, resolvera vender a loja e guardar o dinheiro para mim, e me dar quando crescer.
Ninguém nunca disse que eu fiquei órfã, sempre diziam que meus pais viajaram e eu acabei esquecendo-se deles. No começo sentia raiva, mas no fundo sabia que algo terrível acontecera. Mas não queria saber deles, proibi tia Ashira falar qualquer assunto relacionado sobre eles.
Fiquei com raiva, senti abandonada por eles.
Anos mais tarde, com 14 anos. Recebei uma carta de minha avó dizendo que me amava e que estava doente e quando partisse iria deixar bens para mim. Eu não queria saber dessa família e que esta carta dizendo que meus pais estavam realmente mortos não ia mudar meus sentimentos por eles, estava vivendo muito bem com tia Ashira.
Tia Ashira, não queria que eu morasse com minha avó e fez de tudo para possuir minha guarda. Sabia quem era Judith.
Morar com tia Ashira me fez enxergar um mundo de possibilidades.
Sempre fui sonhadora, queria viajar o mundo e ser uma atriz famosa. Eu e a filha de Tia Ashira, Any éramos melhores amigas e durante toda adolescência vivíamos juntas. Ao completarmos a maior idade, tia Ashira se mudou para uma cidade menor. Como meu sonho era ser atriz, eu e Any ficamos na capital. Foi nesse tempo que resolvi aceitar a herança de meus pais e não podia recusar, não tinha emprego e para manter nossas vidas só com muito dinheiro. Resolvi correr atrás dos meus objetivos.
Entrei para uma escola de teatro da muito famosa. Fui me destacando e me tornara a melhor do grupo. Ganhei a oportunidade de fazer um teste para uma peça de sucesso, seria a atriz principal. Tudo estava muito bem, até o dia do teste.
-Senhora Yidish, você tem um talento incrível. Mas seu rosto é muito exótico e seu nariz muito elevado para os padrões atuais. Hoje em dia, as atrizes possuem um perfil mais delicado. Você me entende? Se você quiser, temos vagas para o backstage e precisamos de gente para ficar no camarim ajudando os atores a se trocar e caso alguma roupa tenha defeitos, alguém que saiba concertar. Vi na sua ficha que sabe costurar. Pelo seus trajes isso confirma o talento. Se aceitar, já pode começar.
Foi um susto. Todo meu esforço em ser atriz. E virar costureira, esse não era meu objetivo de vida. Sabia costurar antes de saber falar, mas não queria ser ou parecer com os meus pais, ainda sentia raiva do sumiço deles.
-Sim, aceito sua proposta.
Falei com tristeza.
Era minha única oportunidade de fazer parte da peça.
-Então, verifique todos os trajes da peça e veja se meus atores ficaram bem neles.
Disse o diretor da peça. Um homem com uma grande barriga e uma barba mal feita e trajes mais deselegantes que podia existir na época.
Meu sonho era entrar em um teatro, mas não para ficar no backstage. Então era o que eu consegui e acabei trabalhando.
-Suas roupas são incríveis! Você parece ter muito dinheiro, e de onde vem esses belos tecidos?
-Na verdade, esses tecidos ganhei da herança de meus pais.
-Você é criativa. Então vamos transformar sua criatividade, com a minha experiência em realidade.
Fui para casa. Estava feliz apesar de triste por ser chamada de feia. Minha auto estima nunca foi trabalhada. Sempre me senti muito feia, por causa do meu nariz.
Conhecei várias pessoas, aprendi falar Francês, graças às aulas do Germain.
Dias foram passando e minha vida de atriz indo cada vez mais distante. Ajudar Germain com as roupas da peça ocupava todo meu tempo e procurar testes era complicado.
A melhor parte era chegar em casa e dormir.
-Tenho novidades!
Disse Any feliz.
-Que novidades?
-Sabe aquela loja de grife na esquina?
-Sim.
-Vai ser vendida. Sei que você tem dinheiro da herança de seus pais verdadeiros e o teatro não está fazendo você feliz. Como eu trabalho na fábrica, posso pedir as contas. E a gente vira comerciante. Ou melhor, donas de butique. Gostou da ideia?
-Nunca vi tanta ousadia vindo de você. A não ser quando fala de homem.
Rimos.
-Quero ser independente e você irá me ajudará. Vai poder treinar o seu lado atriz, com certeza terá tempo. Eu serei uma ótima sócia e aceitarei suas idas à testes.
-Vou pensar.
Segundo
Resolvi sair do teatro e trabalhar com a loja. Era uma ótima oportunidade.
-Yidish, você sempre será minha melhor ajudante. Sei que ama ser atriz. Espero que sua loja tenha frutos.
-Agradeço a Companhia de teatro e à você Germain. Você não só ensinou suas técnicas, você me fez uma mulher mais compreensiva. Obrigada.
-Lembre-se, minha pequena Yidish. Não duvide da vida, quando mais duvidar que a felicidade existe mais ficará longe dela.
Eu e Any fizemos com que nossa loja tornar-se a melhor em auto costura. No começo tia Ashira ajudou muito. Consegui contatos com fornecedores de tecidos de linha e as máquinas de costura foi seu presente para nós.
Inauguramos a loja em um dia maravilhoso. Estava sol e todos nossos amigos estavam lá.
-Um brinde a essa mulher maravilhosa. Yidish, que seu sonho de ser atriz nunca acabe. Saúde!
A loja vendia muito, comecei a gostar de atender as clientes daquele bairro. Como era solteira, existia alguns homens que me mandavam flores. Mas meu verdadeiro objetivo era ainda ser atriz e nada naquele bairro me interessava. Dedicava intensamente ao meu comércio.
Tinha um espelho próximo da porta da loja. Eu me olhava todos os dias. Até que Any brincava comigo.
-Você é linda.
-Eu? Meu nariz é grande. Você não se lembra daquele diretor dizendo que eu era muito nariguda?
-E ele provavelmente é um gordo bêbado.
(risos)
-Como você adivinhou?
-Ele provavelmente não possuía relacionamento com nenhuma mulher há anos. Quem ficaria com um cara desses? Que não enxergou seu talento. Você é esforçada. Lembro de quando éramos mais novas, você adorava contar história interpretando as vozes dos personagens. Atriz nata. Uma Ann Dvorak com certeza.
-Obrigada.
Ann Dvorak (1911 - 1979): a atriz fez sua estreia no cinema aos 5 anos em Ramona. Já na década de 30 fez sucesso nos filmes pré-code como Scarface (1932) e Three on a Match (1932).
Dedicar à loja era algo muito gratificante. E fazer os testes ficaram cada vez mais difícil. A loja fazia um enorme sucesso. E acontecera a mesma coisa quando estava na Companhia. Enfim, resolvi deixar meu sonho de lado por enquanto.
Comecei a criar metas, queria que minha loja tivesse filiais em outros países. Então, tinha que conquistar muita fama.
Então, levantava antes do sol nascer e ia em bairros próximos deixar panfletos de minha loja. Queria que outras pessoas conhecessem o meu trabalho. Então, resolvi contratar algumas pessoas para nos ajudar.
-Finalmente encontrei felicidade em costurar.
-Você sempre gostou. Mas você tem que agradecer aos seus pais. Com certeza estão te olhando no paraíso.
-Paraíso? Você agora está acreditando nessas ilusões criadas por seres humanos medrosos.
-Você é cética.
-Tem que acreditar. Esses dias ganhei um livro incrível que fala sobre como lidarmos com a morte.
-Eu sei como lidar com a morte. Morrermos.
-É serio, Yidish. Leia e depois você me conta.
Li o livro, realmente possua informações sérias, mas ser órfã muito cedo, me fez desacreditar da vida.
-Yidish, leu?
-Li. Realmente muito bom. Mas você acha que quando morremos o lugar mais óbvio de curarmos é no paraíso. Não podemos fazer isso aqui na Terra?
-Verdade.
-Esperar morrer para perdoar. Isso não é comigo. Se for para resolver tem que ser agora.
Nossa loja estava muito bem. Como estava muito tempo na loja
E eu amava caminhar nunca ia para lá de carro. Enfrentava um caminho longo, mas adorava ver o dia amanhecendo, me sentia livre na rua.
Em um inverno forte. Como as vendas estavam crescendo cada dia resolvi fazer um trajeto mais rápido e diferente do que fazia.
Vi um caminhão alto e alguns soldados conversando entre si.
Via no rádio a situação do país, mas como isso nunca foi algo que me interessava eu cada dia que passava queria saber menos de nossos governantes. Coincidentemente ou não, algumas lojas estavam fechando por falta de autorização. E eu sabia que tinha que trabalhar em dobro, não só por isso, mas sair do país era meu maior sonho.
Eu nunca sentira frio, vivia correndo de minha casa para loja, e não sentia o frio que as pessoas normais sentiam, por isso usava uma roupa mais leve e isso me fazia bem.
Então, sai nesta manhã sem blusa de frio, como queria abrir a loja antes das 8, fui caminhando. Na outra esquina próximo de minha loja. Vejo um carro passar devagarinho ao meu lado. Ao ver, percebi um homem que não tinha mais que trinta anos de idade, era robusto e tinha bochechas avermelhadas por causa do frio.
-Senhora, você não sente frio?
-Quem anda rapidamente por acaso sente?
Respondi nervosa. Estava atrasada e não queria me atrasar.
-Você quer meu casaco?
Ele parou o carro e desceu.
-Não, eu não preciso, estou a caminho do meu trabalho. Muito obrigada.
-Seu patrão não irá gostar quando você faltar por motivos de saúde.
-Ele nunca irá discordar das minhas ações. Porque eu que sou patrão.
-Mesmo assim, vou te emprestar meu casaco. Senhora Sem frio. Irei frequentar mais esse bairro por motivos de segurança.
-Bom saber, há muito delinquente por aí.
-Irei te proteger... Primeiramente, protegerei do frio.
Olhei em seus olhos. Eram azuis e seus ombros largos.
-Obrigada. Conheço homens do seu tipo.
-Senhora Sem Frio, peço desculpas se incomodo. Um bom dia.
-Já cheguei ao meu destino. Obrigada por me acompanhar.
Entro na loja, vejo Any atendendo uma cliente.
-Ah, vocês estão sabendo que o governo quer implantar umas atitudes certas para este país?
É terrível gente medíocre roubando nosso lugar. Vocês não têm nem origem desse país. Não tem sangue puro. Esse país vai falir se continuar com gente assim.
-Mas que tipo de pessoa é você que chama a gente de medíocre? O dever do governo é pelo menos tratar a sociedade com igualdade.
A mulher ficou brava que saiu da loja.
-Pessoas que nem vocês não merecem o lugar que conquistaram.
-Como você é sem caráter. Deve ser mais uma milionária sem educação!
Eu disse.
-Quanto mais conheço os seres humanos mais prefiro as agulhas.
Morremos rir com a resposta de Any.
Any percebeu o casaco masculino no cabide. Ficou olhando, e se perguntou:
-Nossa, mais nenhum homem entrou hoje na loja. De quem será?
-Hum, é um homem bem perfumado.
Eu estava distraída lembrando da feição daquele soldado. Não sabia seu nome, mas nunca fiquei tão surpresa por sua gentileza.
-Ah, esse casaco é de um soldado. Estava frio e ele me emprestou.
-Deve ser mais um doido por você. Os homens te amam e você finge não reparar. Com essa cintura eu conquistaria Hollywood rapidinho.
-Mas o máximo que vou agora é para casa. Hollywood só depois.
-O casaco tem um nome. S. B. Klaus. Que nome forte. Como é o príncipe?
-Para, Any! Ele só foi gentil.
-Certo, mas você disse que emprestou à você. Então, tem que devolver. Quando será o próximo encontro?
-Será em uma guerra.
-Guerra do amor.
Dias depois, estava na frente de minha loja um grupo de soldados. E de repente, um entrou perguntando de quem era a propriedade.
-Senhor, essa loja é minha foi uma herança de meu país. Os Bek...
Fui interrompida
-Os Becker, com As letras B...e...c..k.e...r, alemães natos.
-Soldado Klaus, esse sobrenome é o seu. Disse o outro soldado.
-Sim, ela minha prima de terceiro grau.
-Ah, então não precisamos voltar aqui.
Os soldados saíram e ficou somente Klaus e eu. - Senhora Sem Frio! Prazer meu nome é Klaus.
-Primos? Não me lembro de você frequentado minha casa.
-Por que você disse isso?
-Infelizmente, o poder do país está sendo julgado. Vocês foram denunciadas. Os imigrantes, descendentes ou outros povos estão comando comércios e negócios do país. O governo pede regularidade. E muitos estão descumprindo com as normas. Por isso, perguntam seus sobrenomes. Disse o meu, para não vistoriarem a loja no momento. Percebi que vocês tem inúmeros clientes e saberem que foram vistoriadas acaba com a imagem de vocês.
-Obrigada, Senhor Klaus.
-Estava com eles e lembrei de você, por isso a defendi e não me chame de senhor. Prometi que ia te proteger.
-Vou buscar seu casaco. Qual a forma que posso agradecer?
-Sorrindo para mim.
-Aqui seu casaco.
Fiquei admirada com seu rosto.
-Yidish, admiro sua competência .
-Competência?
-Sim, você lavou e passou meu casaco e ainda costurou um botão. Sem ao menos saber que eu viria. Muito obrigado. Você irá fazer algo no final da tarde posso retribuir esse agrado?
-Não. Eu que devo retribuir tudo que o senhor me fez.
-Encontro você no final da tarde. Até logo.
-Nossa, que gentleman.
-Que susto! Onde você estava?
-Estava observando um romance de filme acontecer na minha frente.
-Para, não dará nada.
-Se você quiser reparte o pão comigo.
Vou repartir sua cabeça se a gente não terminar o vestido de noivado de sua cliente.
Nunca as horas demoram tanto para passar. Estava nervosa. Já tive uns encontros, mas todos fracassados.
Quando tinha 16 anos conheci um primo de Any, era calado, mas um menino lindo. Nunca conversava quando eu estava próxima. Até que um dia, pedi para Any me apresentar. Fomos em uma praça, fui com um vestido maravilhoso que demorei 2 semanas para finalizar queria estar linda. Quando cheguei e o cumprimentei ele falava cuspindo. No momento, foi triste, mas o beijo dele tinha mais líquido quando bebemos água com sede. Não deu certo.
O último foi com um homem trinta anos mais velho que era muito rico, mas seu dinheiro não o tornava feliz. Só falava da sua indústria e de seus funcionários lentos.
-Você está bem?
Disse Any.
-Estou. Por quê?
-Nunca te vi tão preocupada em ir embora.
-Cadê a Senhora Trabalho que existia em você?
-Nossa, eu vou ter um encontro. Quer dizer, vou apenas agradecer o soldado pela gentileza.
-Você já agradeceu. Então, não precisa ir.
-Verdade. Não, mas ele disse que quer me ver.
Vou fazer assim, vou sair agora. Você por favor, escolha o vestido mais lindo que tem aqui. Ah, esse cinza combina com você. Tchau. Até mais tarde. Senhora Becker com CK.
Fiquei sozinha na loja. Estava escurecendo. Pensei em várias frases para dispensa-lo.
Não ia dar certo. Eu não era o seu padrão estético. Ele era louro, alto.
Deve ser um conquistador barato. Mas um conquistador incrível, ele é.
Vesti o cinza que Any tanto insistiu.
Vi o carro parar. Ele bateu na porta.
Meu coração acelerou.
-Senhora Yidish.
Abri a porta e vi Klaus com uma blusa de lã que realçava seus olhos azuis e deixavam suas bochechas, que era naturalmente vermelhas mais douradas. A postura que ele tinha era ereta e a mão no bolso destacava toda ordem de um corpo perfeito.
-Não conheço o bairro. Você conhece algum lugar para jantar?
-Jantar?
-Sim, você deve estar com fome. Se achar melhor, vamos a algum lugar que você queira.
-Conhece a praça das flores?
-Não, mas lá é seguro?
Você não é soldado! A insegurança com isso não condiz com seu trabalho.
Ri.
-Mas ainda sou um ser humano.
-Você tem que me proteger. você prometeu a minha proteção.
-Alguém já te disse que seu sorriso é incrível?
-Você é o primeiro.
Fomos para praça. Ao chegar Compramos pipoca.
-Você me seguiu só por dó?
-Nunca vi uma mulher não sentir frio do jeito que você sente. Fiquei preocupado e minha única atitude foi ajudar. Gosta de pipoca?
-Então, Yidish. Como virou dona da boutique?
-Sou filha de judeu. Minha mãe casou-se com meu pai. Ele era um costureiro maravilhoso e desde cedo me ensinaram a costura. Antes de falar já sabia pregar um botão. Mesmo ter sido órfã cedo guardei a memória de costurar. Com isso, ganhei oportunidade de costurar para elite. E resolvi montar a loja para ter tempo para mim, mas fui enganada pela vida e tempo para fazer o que gosto não dá muito certo, por isso construí outros sonhos.
-Gosta de servir o exército?
-Gosto de ajudar quem precisa.
Ele pegou minhas mãos e olhou em meu olhos. E roubou um beijo, seus lábios eram quentes e seu perfume envolvia todo o momento.
Terceiro
Todas as tardes ele me levava para casa. Nunca senti aquele tipo atração por alguém. Já namorei, mas sentir falta de uma pessoa e se sentir completa, era a primeira vez, era um sentimento único.
Em uma tarde, entrei no carro de Klaus e percebi um terço no espelho e vi que poderia ser religioso.
-Você tem fé?
-Não muita. Isso é de meu pai. Já vivi situações desumanas. Estou desacreditando de tudo.
Quando perdi meus pais, fiquei incrédula. Então, resolvi fazer sozinha. Criei metas. Escrevo tudo que quero em um caderno. Corro atrás e não preciso de deuses para me ajudar. Tento acreditar em o que faço. Só faço aquilo que gosto ou que sou capaz de fazer.
-Não sentir frio está na sua lista.
-Com certeza está.
Todos os dias ao lado dele era mais interessante, queria saber sempre mais, mas como sempre trabalhamos muito. O nosso pouquíssimo tempo só dava para beijarmos ou conversar de como foi seu dia.
Como o tempo era curto, se encontrar de madrugada era o único jeito. Então íamos para a praça que estava vazia. Ficávamos vendo o por do sol quando dava.
-Você gosta daqui? Pensa em um dia morar em outro país?
-Sempre foi meu sonho. Na verdade sou atriz.
-Então, sabe mentir melhor que eu.
-Eu não sei mentir. Apenas crio outra pessoa em mim, então não sou eu mentindo.
-Boa explicação.
Ele me chamou para dar uma volta no carro dele. Sua presença me preenchia. Quando encontramos um lugar mais confortável ele saiu do carro e pegou um colchão, foi aberto e deitamos para olhar o céu, sempre que fazíamos isso vinha muita inspiração sobre a vida e o fim dela
Klaus, você acredita em irmos para o paraíso?
-Aqui é o céu e o inferno. Só que no mesmo lugar.
-Sempre acreditei nisso, mas dizem que precisamos criar a vida após à morte para não pirarmos.
-Se existe ou não. Quero te encontrar no paraíso sendo aqui ou não.
Seu beijo envolveu meu corpo. O silêncio da madrugada só deixava a gente mais confortável.
Ele me abraçou e beijou meu pescoço como nunca sentira na vida. Foi uma explosão de amor. Ele me tratou como uma mulher e me fez se apaixonar mais por ele.
Fizemos amor.
-Você gosta de servir a nossa nação? Perguntei.
-Na verdade, sigo os sonhos dos meus pais. Eles sempre sonharam com a minha carreira. E sempre odiaram os meus sonhos.
-Eu aprendi a não ficar triste com o que as pessoas pensam de mim, já chorei muito me culpando. Você parece ser infeliz no que faz.
-Eu faço coisas que até Deus dúvida.
-Não podemos ser tudo ou ter tudo que queremos, mas devemos viver nossos momentos. Posso continuar vivendo o nosso?
Coloquei minhas mãos no peito dele. Senti seus batimentos.
Boa pedida.
Klaus riu. Era um sorriso verdadeiro.
-A minha carreira me faz cometer erros horríveis. Infelizmente, já matei muita gente inocente. Desculpe dizer isso, mas...
Lágrimas caem do rosto de Klaus.
-Pode me dizer, eu estou ouvindo.
-Me culpo, por um dia cometer um erro. Eu tinha um grande amigo, ele era meu professor, fiz enfermagem para entrar na carreira no exercito. Ele é de uma família muito rica. Sua mulher era uma pessoa muito boa, que ele sempre falava, e eu admirava o amor dos dois. Meu amigo, infelizmente morreu por uma terrível doença, e como ele não possuía filho, deixou toda herança para sua mulher, ela gostava muito de mim, ele sempre me chamava de filho que não possuía, ele estava ficando doente e resolveu fazer um testamento em meu nome, na época minha família constituiu uma divida horrível e como esta senhora só iria deixar o dinheiro quando morresse, eu e uns amigos do exercito resolvemos mata-la. Daria uma parte para esses amigos, em troca, ninguém seria incriminado.
Eu gostaria de não fazer tudo isso, mas o ódio me segue.
-Klaus, você está aprendendo. Não se culpe. Você é um homem incrível para mim.
-Yidish, eu nunca amei alguém com você. Você me trata bem, não está comigo por causa de minha origem...
Minha reação foi abraça-lo.
Vi sua mão encostar na minha cintura com uma delicadeza única. Seu lábios estavam quentes e o seu olhar se fechou quando me beijou. Eu abri os olhos e parecia que o mundo tinha parado.
Parei de beija-lo.
-Desculpe tenho que ir embora.
-Sua amiga achará ruim sua demora?
-Minha amiga torce por isso.
Abri a porta de casa ao máximo de silêncio que pude.
-Você está cada vez mais parecida comigo.
Disse Any.
-Que horror! Jamais. Você sempre será única. Disse.
-Sonhadora, o que aconteceu?
-Ele é diferente. Parece que tudo é perfeito.
-Boa sorte.
Fui me deitar, fiquei pensando um pouco em como minha vida estava mágica. Quem diria que não seria uma atriz de cinema e seria dona de loja igual meu pai. Esse meu pai que acabara esquecendo, mas me tornei uma pessoa igual, sonhadora e persistente.
Comecei a chorar, peguei a carta de minha mãe, olhei o céu pela janela e pedi perdão, ela iria aceitar onde ela estivesse. Esperava que a culpa não fosse algo que levasse até sua morte, mas infelizmente ela cometeu o suicídio por se culpar.
Dias depois,
Ouvi pela janela o barulho do carro de Klaus, olhei para baixo. Desci desesperada. Fui ao quarto de Any, ela tinha um sono pesado e nem percebeu meu desespero.
Abri a porta.
-O que houve? Você me assustou, Klaus.
-Senti sua falta.
-Você é louco. Se alguém ver você.
-Por que o medo? Logo você que disse não se importar com o que as pessoas pensam.
-Mas você esta uniformizado e de madrugada na casa de uma mulher. Vão achar que eu sou sua inimiga.
Ri e ele me beijou.
-Melhor você entrar.
-Tem que ser rápido estou trabalhando.
-Fique em silêncio. Any esta dormindo.
Entramos e fomos direto para o meu quarto.
Ele me levantou e me fez sentar na minha cômoda. Me beijou de um jeito rápido e macio, suas mãos passava em meu corpo e me fazia delirar, fazia leves pressões em mim, apesar de forte ele sabia fazer carinho. Ele resolveu tirar sua camisa, estava ficando quente, seu rosto ficava vermelho sempre quando ele sentia frio ou calor, resolveu tirar minha camisola de um jeito devagar olhando meu corpo ficar nu. Me beijou no pescoço com leve beijos de boca meio aberta, era uma sensação maravilhosa e meu corpo se arrepiava. Seus dedos tocavam minhas partes intimas e eu explodia de prazer. Resolvi retribuir os carinhos. Beijei seu corpo, e delirei de felicidade. Nossos corpos pareciam um só. O mundo podia acabar ali, seria a melhor morte da minha vida. Estava completa.
-Você é linda. Disse Klaus.
-Eu te amo.
-Eu te amo.
Falamos ao mesmo tempo. Parecia que éramos um só.
Klaus saiu de minha casa e eu queria mais.
-Vou indo. Prometo voltar sempre que quiser. Você me faz feliz. O mundo para quando estou com você.
-Eu quero você para sempre, Klaus.
-Tchau, até mais.
Vi sua imagem se desfazer até seu carro.
A vida não poderia passar rápido, mas infelizmente passa.
No dia seguinte,
-Nunca vi você sorrindo tanto. Disse Any.
-Estou feliz.
-Está amando! Já viu o soldado sem roupa?
-Fizemos amor ontem.
-Quando?
-De madrugada.
-Na casa dele?
-Não, na nossa.
-Aqui? Onde eu estava?
-Dormindo.
-Que ódio. Sono pesado é horrível.
-Vamos trabalhar. Porque hoje será um dia incrível!
Uma senhora linda e loira aparece na loja.
-Bom dia meninas. Fui indicada por uma ótima amiga. Tenho um dever. Minha nora precisa de um belíssimo vestido. Faz tempo que esta longe do meu filho, ele é soldado e para se reencontrarem ele vai dar um belo vestido que vocês farão para minha querida nora. Estou com as medidas dela e uma foto de corpo. Tenho certeza que acertaram, me disseram que vocês são as melhores da cidade.
-Minha querida, meu nome é Yidish, não vou poder atender você, vou buscar alguns tecidos, mas Any é muito mais competente. Tenho certeza que sua nora vai adorar este vestido.
Peguei o tecido mais bonito. Era um de seda azul. Caia bem em qualquer corpo, iria servir na bela nora
-Vou indo. Que tal a senhora escolher esse tecido. Olha como ele fica bem em qualquer pessoa. Sua nora amará. Fique com a Any, prazer em conhecer.
-Esse é lindo. Meu filho irá adorar. Homens são seduzidos por mulheres elegantes.
Um semana depois.
-Yidish, acabei o vestido. O que achou?
-Está perfeito.
-Experimenta.
-Não posso minhas medidas são diferentes.
-Se desfazer eu arrumo. Entrego só a tarde. A Senhora Camille, mandou eu mesma fazer a entrega em um horário que nenhum homem esteja em casa. Ela quer que eu mostre os nossos vestidos prontos para ela usar nesse jantar fino.
-Vou experimentar.
-Yidish, você ficou maravilhosa.
Realçou sua cintura. Klaus iria ficar mais apaixonado por você.
-Any, vou almoçar em casa. Movimento está fraco neste mês, vou fazer alguns planejamentos. Faça a entrega e mande abraços para a Senhora Camille.
-Mandarei sim.
Any resolveu ler a ficha de Dona Camille, achou estranho umas informações, mas resolvera perguntar pessoalmente.
No caminho da entrega, Any de repente viu o carro de Klaus ir na mesma direção que o dela. Como ela achou estranho, resolveu ver até aonde ele iria.
"Esse cara esconde alguma coisa. Aquela senhora tem o sobrenome dele. Era estranho. A Yidish, não percebeu que ele tem dia e hora pra se verem."
Ele entra na mesma casa de sua entrega. Pela janela dava para ver umas pessoas.
Any pergunta ao porteiro.
-Bom dia, desculpe perguntar. Tenho uma entrega de um vestido naquela casa. Só que não posso atender minha cliente com homens dentro. Ela que me informou. Você sabe quem está com ela? Disse que seu filho não pode ver o vestido antes da mulher dele, você sabe se ele está na casa?
-Sim, o sargento Klaus está. Acabou de entrar. É o filho da senhora Camille, ele está de temporada aqui. Os netos de Camille vão vir para o jantar. Ele está de saída. Você pode esperar?
Any fica assustada.
-Posso, mas ele não pode me ver.
-Ordens são ordens. Entre aqui pelos fundos. Os quartos são acima.
Klaus entra.
-Oi, meu filho. Sua mulher está morrendo de saudades de você. Seus filhos estão com saudade.
-Vou busca-los daqui a pouco.
Um homem grisalho que parecia bem mais velho disse:
-Eles sentem orgulho de ter um pai que serve brilhantemente seu país. Fico feliz por você dedicar à essa carreira.
-É...eu também.
Porteiro bate na porta.
-Senhora Camille, a entrega chegou.
-Muito obrigada.
-Meu filho, quando você chegar na casa da Hannah, deixe isso nas mãos dela. Não abra, como você vai buscar meus netos, por favor, entregue à sua mulher. Faça ela vestir no dia do meu jantar aqui em casa. Ela vai amar. A atendente da loja foi uma amor comigo. Quando falei que tinha um filho que estava servindo o nosso pais, adorou nossa historia. Fez o possível para escolher o melhor produto da loja.
Quando Klaus viu o nome da loja ficou preocupado. Era loja da Yidish.
Espero que sua mãe não tenha dito o nome da família.
Klaus saiu.
Any, descobrira Klaus era filho de Camille, casado e com filhos.
-Senhora Any, muito prazer ter ela aqui. Desculpe a confusão, amo fazer surpresas. Vamos para o meu quarto. Você viu como minha família é linda.
-Quem é esse menino de cadeira de rodas?
-Meu neto. Filho de Klaus e da Mary. A família de meu filho é um exemplo. Meu filho ajudou muito seu filho. Um dia esperamos fazer ele andar, mas como sempre digo "Um passo de cada vez."
Any, saiu rapidamente daquele lugar. A sensação que tinha era a vontade de poder matar aquele idiota.
-Quer dizer que ele é casado? Que desgraçado. Vou contar tudo para Yidish.
Na mesma tarde.
Estava em minha loja. Tudo estava perfeito. Até eu atender uma cliente e sentir nojo de seu perfume.
-Me desculpe senhora, seu perfume é forte. Vou ao banheiro, se você puder volte mais tarde, me desculpe.
Nunca vomitei tanto em minha vida. Mas o que tinha comido de errado?
-Yidish!
Any entrou desesperada.
-Oi. Estou aqui.
Limpei minha boca.
-Você está bem. Esta pálida?
-Deve ser algo que comi. Estou enjoada de tudo. Acredito que mandei uma cliente voltar depois, porque o perfume dela me fez passar mal.
-Você está passando muito mal. Vou levar você ao médico e veremos esse seu problema.
Any escondeu o que descobrira.
Quarto
Any fez uma cara de espanto.
-Amiga, você sabe que a amo. Quando precisar estarei sempre à sua disposição.
-Any, o que foi? Eu que passo mal e você que começa a falar besteira.
-Vamos tomar um café. Precisamos conversar.
Fomos a uma cafeteira ao lado.
-Não estou me sentindo bem. Preciso ir ao médico. Meu pai antes de falecer passava muito mal.
-Garanto que seu pai não passava mal com perfume barato.
Rimos
-Você não pensou em outra possibilidade em isso não ser uma doença.
Fiquei apreensiva.
-Será que estou grávida? Mas estou conhecendo melhor o Klaus. Nunca vi nos seus planos ter filhos. Ele só trabalha. E meu plano de expandir a loja. Não posso desistir.
-Calma. Vamos ao médico.
Estava nervosa e feliz.
-Quer saber, se eu estiver grávida, com certeza Klaus será um ótimo pai. Não vejo a hora de contar para ele.
Fomos ao médico. Any segurava minha mão e perguntava de cinco em cinco minutos se eu estava bem. E eu só estava com a sensação de extrema curiosidade.
-Senhora Yidish Beker, seu exame deu positivo.
-Any, estou grávida!
-O quê?
-Grávida de Klaus. Vou ter um filho.
Eu pulava de felicidade e Any ficou sentada sem reação.
-Espero que ele seja um bom pai.
Na mesma noite, Any estava com insônia, resolveu fazer algo que eu poderia odiar, mas que achava que não iria me ofender no futuro.
Estava muito feliz e cansada que nem a vi sair.
Desesperada foi até a casa da Senhora Camille.
Nervosa, chamou o nome da Senhora Camille, que a atendeu.
-Boa noite. Desculpe incomodar a senhora. O que preciso dizer é urgente.
-Minha querida, você não é a vendedora da Boutique? O que faz aqui tão tarde. Entre.
-Primeiramente, meu nome é Any, sou a melhor amiga de Yidish, a dona da loja Le boutty.
-Sim, a moça atenciosa.
-Sim, Yidish é muito querida. Desculpe não vou demorar. Vou ser direta no assunto. Yidish conheceu um homem, esse nunca disse à ela que era casado e tinha filhos. Ela criou grande expectativa sobre ele e agora está grávida...
-E esse homem é alguém que conheço?
-Sim, seu filho Klaus.
-Não acredito, meu filho trabalha demais, está se dedicando à sua carreira. Não pode engravidar uma qualquer. Como ela não sabia? Meu filho ama meus netos e o casamento dele não pode terminar agora. Minha querida, mande sua amiga se afastar de meu filho. Não quero essa criança perto da gente, se quiser dinheiro dou à você, mas foi difícil manter o casamento do meu filho e nenhuma vadia irá estragar isso.
Quero que se retire imediatamente de minha residência, se essa mulher vier atrapalhar minha família, irei fazer algo muito pior com ela. Vou hoje à tarde conversar melhor com você, mas sua amiga não pode estar por perto.
-Senhora Camille, prometo que Yidish não irá incomodar.
Any, saiu e percebeu o quão megera era a Senhora Camille.
Na mesma tarde,
-Yidish vou para casa. Vou arrumar uns vestidos que devolveram.
-Por que não arruma aqui?
-Já estou lá faço isso.
-Any, você está me escondendo alguma coisa. Tem algum cara nessa história?
-Deve ter...
-Espero conhece-lo.
Any foi até a nossa casa.
-Senhora Camille me desculpe.
-Pensei que ia trazer a vadia.
-Não jamais.
-Trouxe meus guardas. Caso aconteça algo pior eles me ajudaram. Se sua amiga ficar calada todo mês vocês receberam duas vezes mais que recebem mensalmente na lojinha de vocês. Como vocês são aquele tipo de gente com certeza fecharão sua loja. Mas manteriam seus estilo de vida com meu dinheiro, mas tratem de arrumar um lugar bem longe para morar. Não quero esse monstrinho que irá nascer querendo saber do pai. Você me compreende.
-Sim.
-Assine este contrato de silêncio. A quebra será irreversível.
Dias passaram.
-Faz uma semana que não vejo Klaus, espero na praça, na porta de casa. Será que aconteceu alguma coisa? Tenho que avisar de minha gravidez.
-Ele trabalha para o exército. Provavelmente está ocupado demais para você. Ou esqueceu de você.
-Como você sabe? Viu em algum lugar?
-Klaus nunca foi um homem para você.
-Você nunca me disse isso.
-Ele tem horário para te ver e nunca apresenta para seus amigos.
-Ele é reservado.
-Ele trabalha para o exercito, boa pessoa que não pode ser.
-Você julga muito as pessoas.
-Eu apenas falo assuntos reais.
-O que você sabe de Klaus?
-Ele não gosta de você.
-Any, você tem inveja da vida que estou levando. Quando Klaus aparecer irei para outro lugar com ele. E pode ficar sossegada a casa é toda sua. Vou buscar uns tecidos volto mais tarde.
Bati a porta sem dizer adeus.
Cada dia que passava sem o contato de Klaus, parecia o fim. E mais a afirmação de Any se tornava verdade.
Os dias foram passando e eu desejava falar que tinha um filho dele. Mas não revolvi procura-lo. Do que adiantara, eu nunca tive sorte para o amor.
Entrei em casa. Fui até o quarto de Any, dei um abraço e pedi desculpas.
-Estou apreensiva, Any.
-Klaus nunca foi o cara para você.
-Por que você não me avisou antes?
-Nunca quis o seu sofrimento.
-Ele deve ser assim mesmo. Eu mal sei onde ele morava. A casa que íamos era de um amigo.
-Yidish, você precisa esquecer e viver sua vida. Ninguém pode tirar essa sua alegria que nascerá.
Klaus ficou na cidade em que buscou seus filhos. Achou estranho as atitudes de última hora. Já que estava escalado para ficar na capital.
Mas na mesma semana.
-Senhor Klaus, você foi promovido ao cargo de Sargento. Você pode comparecer na capital para o título de honra?
-Sim, estarei presente.
Klaus, ficou feliz. Iria reencontrar comigo, com certeza eu estaria com raiva dele. Como pôde sair da cidade sem falar nada. Pior, sua saída foi às pressas, não imaginou que ficaria trabalhando próximo de sua família, mas agora ia dizer a verdade, não aguentava sua mulher brigando e a doença de seu filho que piorava a cada dia.
Eu na mesma semana resolvi visitar Tia Ashira e contar sobre minha gravidez, sabia que ela entenderia e não me julgaria.
Ao chegar, Klaus resolveu esperar na porta de minha casa, como não viu ninguém, resolveu ir à loja.
-Boa tarde, a Yidish está?
-Não, ela viajou. Não quer mais saber de você.
-Viajou para onde? Você pelo menos sabe quando ela voltará? Vou ficar na cidade até domingo. Preciso falar com ela.
-Ela está feliz sem você. E demorará anos para voltar. Resolveu ser atriz.
Any sabia que eu estava na casa de Tia Ashira e iria voltar na segunda.
Klaus ficou a tarde toda em frente de casa.
Resolveu pagar um dinheiro para uma senhora pegar informações sobre mim.
-A Yidish voltará na segunda.
-Obrigada. Disse Klaus.
Foi um final de semana perfeito, passei ao lado de pessoas que me amavam. Não lembrei de Klaus. Voltei para casa decidida esquecer. Ao entrar em casa, percebi que Any não estava. Resolvi procurar um lenço que emprestei. Olhando a gaveta, caiu sem querer uma escova em baixo da cômoda ao pegar tinha um papel e resolvi pegar.
Senhorita, Any.
Venho informar que o dinheiro vai ser levado na sua casa ao 12h, antes que sua amiga esteja em casa. Se você prometer que esta mulher ficará longe de meu filho e de sua família, todo mês, como o combinado receberá a mesma quantia. Klaus, tem filhos e sua mulher o ama. Não pode se envolver com pessoas do tipo dela. Darei um jeito de acabar com a vida de vocês, caso ela volte o contato com Klaus.
Senhora Camille.
A carta caiu de minha mão. Nunca senti tanta raiva.
Any chega.
-O que é isso? Você falou da minha gravidez para mãe de Klaus. Você analisou tudo para acabar com a minha felicidade.
-Calma, lembra daquela mulher que foi na loja pedindo o vestido para sua nora semanas atrás. Eu fui fazer a entrega e vi que Klaus estava indo no mesmo caminho e descobri tudo sobre ele, não resolvi contar para você não sofrer. Você engravidou e eu me desesperei. Esse tipo de gente está com raiva da nossa origem, e você se envolve com um soldado. Você não se lembra que queriam vistoriar nossa loja. O nosso país não está bem, o melhor é você se afastar de tudo isso.
-Você acabou com minha vida, Any!
Eu resolvi sair e passar na loja.
No caminho, encontro o carro de Klaus.
Bato no vidro.
-Você é um idiota.
Klaus saiu do carro.
-Calma. Desculpe, temos muito o que conversar.
-Você é casado. Você mentiu para mim.
Peguei um tronco de árvore e comecei a bater no carro com raiva.
Ele pega meu braço com raiva.
-Larga isso, aí.
-Vamos sair daqui.
-Você está machucando meu braço.
-Você não está bem, não tinha viajado? Você também mentiu.
-O que você está falando?
-A sua mentira foi pior. Eu não sou uma vadia. Sua mãe pode pensar que sou, mas ela que criou um louco.
-Você conheceu minha mãe?
Pegou no meus ombros e me sacudiu.
-Klaus, você está me machucando.
-Quer saber, me envolver com você foi um erro. Viva sua vida de vadia.
-Você é louco.
-Você não merecia ter me conhecido, me apaixonei por você.
-Se apaixonou ou apenas se envolveu, conheço seu tipo.
-Se você aparecer em minha casa você não saíra de lá viva.
-Por quê? Você irá me matar, não serei a primeira vítima que você matará.
-Cale a boca.
Klaus entra no carro furioso.
Entro na loja e procuro os documentos e endereço de minhas clientes procuro o endereço da Senhora Camille.
Saio correndo. Any estava chegando.
-Onde você vai Yidish?
-Vou resolver minha vida, você tentou mas não deu certo.
-Por favor, não vá nos Becker.
Sai correndo, peguei o carro e nunca foi tão longe ir ao bairro ao lado.
Chegando meu coração ficava cada vez mais acelerado.
-Por favor, a Senhora Camille está?
-Estou, o que faz aqui? Meu filho não quer saber de você. Não precisa de vadias como você.
-Senhora, venho dizer que não sou o que pensa. Seu filho me enganou. Seu filho é um imaturo.
-Você é uma burra. Meu filho te usou. Você acha que ele iria querer casar com você? Nem se ele fosse solteiro, nunca aceitaria isso. Seu tipo não faz o dele, não te apresentaria nem para um cachorro. Por favor, saia daqui. Chamarei os guardas.
-Você sabe o porque da sua riqueza? Ele precisou matar a mulher de seu professor. Ele é um mentiroso. Matou a mulher para ser rico.
Camille deu um tapa em minha cara.
-Saia daqui sua vadia.
Um homem grisalho me pega no braço e me empurra para fora.
-Saia daqui, você não merece um segundo na minha casa. Suma! Meu filho não irá te procurar. Ou você sai daqui ou perderá tudo.
-Vocês são loucos.
-Se você falar algo, sua loja não sobrará um fio.
Any chega e me pega na calçada.
-Você pirou Yidish! Eu disse para você não procurar essa gente.
Chorei muito.
Foi a pior situação que passara na vida.
Resolvi seguir meu caminho.
Tempo depois.
Minha barriga foi crescendo. E minha loja diminuía cada dia a clientela. Para as clientes fofoqueiras não perguntar de minha gravidez e quem era o pai. Eu e minha amiga aumentamos o balcão e só ela atendia as clientes. Para eu sair de casa colocava roupas largas. Só quem sabia de minha gravidez era meus amigos mais próximos e parentes. Mesmo assim, não me sentia protegida tinha medo de perder minha filha. Naquela discussão perdi muito sangue, por isso, cada dia era uma vitória.
-Yidish você me perdoa. Fui imatura falar com aquela senhora.
-Eu fui mais. Fiquei com ódio de você e acabei piorando.
-Essa criança pode ficar sem pai, mas sem tia jamais.
Nos abraçamos.
Em um dia de muito frio, senti uma grande contração. Any pegou nosso carro e me levou ao hospital. Eram contrações fortes, mas a alegria de ter Any e Tia Ashira por perto era maravilhosa.
Ao olhar meu bebê vi que era uma linda menina. O nome seria Katharine com significado de pureza. Apesar de filha de Klaus, minha filha tinha o sangue de nós dois. Um sangue puro, que mesmo sermos de outras cultura, o significado de pureza era o que minha filha iria ser, independente dos pais dela.
Voltamos para casa.
Inventamos uma história que uma mulher da família não podia cuidar da criança e resolvemos ficar com ela. Todos acreditaram. Minha bebê crescia e seus traços igual do pai se acentuava cada vez mais.
Vimos ela comer sua primeira sopa, a engatinhar, a falar as primeiras palavras e dizer que me amava, e aos 3 anos ela perguntou se tinha um pai. E eu falei:
-Katy, seu pai foi um homem muito bom, mas precisou se afastar de mim para a mamãe cuidar melhor de você. Mamãe é pai e mãe ao mesmo tempo agora. Sempre estarei do seu lado. O que precisar farei o possível para fazer.
-Te amo.
-Te amo.
Falamos ao mesmo tempo.
Lembrei da época que estava com Klaus, repetíamos a frase toda vez que falávamos. Não poderia lembrar-me dele, isso me machucava.
Klaus ficou na cidade que seus filhos estavam, mas o governo chamou para mais uma missão.
-Precisamos de você urgentemente na capital.
-Sim, estarei.
-Pode ser nesta tarde? Qual é a missão?
-Interditar lojas que são de pessoas não autorizadas para manter o funcionamento.
-Quais tipos de pessoas? Klaus sabia, mas preferiu fingir não saber.
-Pessoas que não servem para nossa nação. Não sei se estou sendo compreensivo. Tenho listas de sobrenomes e tipos de pessoas. É só você entrar nas com lojas e interditar. Aqui esta as cartas de pedido de fechamento.
Klaus, ficou tenso.
Não queria fazer isso, mas como a vida o fez enxergar que todas as pessoas eram traidoras. Sabia que poderia encontrar Yidish. Lembrou quando ia visitar sua mãe passava por perto de minha casa, mas seu orgulho fazia com que sentia-se ódio de mim. Então, me esqueceu, com essa missão fez lembrar que eu existia.
Era um dia ensolarado. Katharine, estava brincando na porta da loja. Adorava brincar com suas bonecas e Any ria das caretas que Katy fazia. Eu não estava na loja, fui ao centro comprar algumas mercadorias.
Algumas lojas do quarteirão estavam vazias e quase falindo, não tinha tanto movimento como alguns anos atrás, mas os comerciantes mantinham abertas para viverem. Era o único lugar que tinha para ganhar dinheiro, sair do bairro não adiantaria e ninguém daria oportunidade.
De repente, enquanto Any estava distraída atendendo uma cliente. Katherine, vai na calçada da loja ao lado brincar com algumas crianças da região. Derrubou sem querer sua boneca ao lado de um grupo de soldados que passava.
Um homem alto e forte aparece e pega a boneca. Quando vê a menina olha nos olhos dela e diz.
-É sua boneca? Essa linda boneca.
-Sim, ela é linda. O nome dela é Cenoura. Não gosto de cenoura, mas minha boneca gosta.
-Também odeio cenoura. Klaus ri.
-Quer brincar comigo?
-Não posso, mas adoraria. Sua mãe com certeza não deixaria você brincar com estranhos.
-Minha mãe não deixa eu falar com estranhos.
Ele entrou na loja do lado.
Any, sai da loja desesperada por Katharine.
-Você me matara do coração um dia. Onde você estava?
-Estava aqui. Uns soldados estão vendo as lojas, acho que querem comprar algumas coisas.
-Não falou com nenhum estranho? Esta cidade esta perigosa.
Any, se preocupa e vá até em casa me avisar sobre os soldados.
-O que fazem aqui? Eu vim deixar os tecidos já iria para a loja.
-Hoje fecharam as três lojas do quarteirão. A próxima será a nossa.
Fico preocupada e resolvi ir à loja.
Any e Katy me acompanharam.
-Oi meninas, lavarei pães e suco para loja. Quem quer fazer piquenique?
Foi uma fim de tarde maravilhoso.
Katharine e Any foram embora mais cedo, mas eu fiquei na loja para costurar umas peças e dormir. A insegurança de interditar a loja me preocupava.
Batidas na porta.
Essa hora? Quem será? Any? Esqueceu alguma coisa?
Abri a porta.
Era um homem com traços mais fortes, alto e loiro. Estava com um semblante mais velho, mas ainda tinha a aparência do homem que me fez sorrir por amor.
-Klaus? O que faz aqui?
-Desculpe não procurar você todos esses anos. Podemos conversar?
-Estou ocupada.
-Desculpe, não tenho muito tempo nesta cidade. Quero pedir perdão. Não falei sobre minha vida por medo.
Estava com o homem que eu mais desejei. Pedia a Deus todas as noites que ele me perdoasse. Rezei, chorei, mas nada me fez esquecer. E agora do nada esta em minha frente, com semblante de preocupado, querendo se desculpar.
-Desculpe, mais uma vez.
Ele chorava.
-Não quero te magoar.
-Estou aqui para ouvir sua versão. Nesses 4 anos, sofri demais por não ter você comigo.
-Eu sou casado. E quando te conheci, nunca tive coragem de dizer isso, para não magoa-la. Estava em crise no meu casamento. Meu filho mais velho tem uma grave doença e vive com dificuldade, apesar de eu ter nascido em uma família de poder, meu pai nunca quis me ajudar financeiramente, e viver só na vida de soldado não estava dando certo, então resolvi entregar minha vida em uma vida nojenta. Aceitei matar aquela senhora para sustentar minha família. Perdi o controle na vida. Andei fazendo muita coisa errada, mas quando te conheci você me mostrou outra direção. Me perdoe. Não precisa me perdoar, mas saiba que você foi e sempre será a mulher que eu mais amei. Respeito minha mulher, mas ela só esta comigo por causa de minha família, minha mãe a ama, meu pai fez de tudo para ficarmos juntos por causa da família dela ter condições para nos manter, mas quando conheci o pai dela ele me odiava e da mesma maneira que meus pais não queriam nos ajudar, fomos para essa cidade vivermos nossas vidas, mas veio o segundo filho, o meu primeiro tem uma doença grave, toma muitos remédios.
Vive com cuidados médicos, meu mais novo me odeia, desde pequeno ele fala que eu não o amo. Não tenho dom de amar. Eu e minha esposa não temos mais amor. Quando tive a oportunidade de vir para esta cidade e conheci você, não tive coragem de dizer quem era, você iria se afastar de mim. Tudo foi muito rápido entre a gente, mas foi intenso conhecer alguém tão especial.
Eu não sabia o que dizer, se era raiva, amor ou ódio.
Apenas beijei.
Fizemos amor como antes.
Quinto
Parecia que não tinha passado tanto tempo. Não tive coragem de falar sobre a Katharine, era cedo. Poderia ter raiva de mim, ou pior, ele mesmo disse que não sabia amar uma criança.
-Preciso ir. Infelizmente, acordarei cedo amanhã. Tenho uma lista de lojas para dar ordem de fechamento.
-Não entendo essa forma do governo fazer isso com pessoas honestas?
-Você lembra que ainda tem proteção da sua loja?
-Lembro, caso alguém proibida o funcionamento mostre essa carta e diga que está tudo certo.
-Obrigada. Ele saiu.
Uma semana depois.
Senhora Camille entra na loja.
E vê uma menina lourinha em sua frente.
-Bom dia, posso falar com a Yidish?
-Mamãe está lá dentro.
-O que foi Katy?
-O que a senhora faz aqui?
Ela me olhou de baixo pra cima.
-Sua filha parece com Klaus.
Quero que fique longe dele. Estou dando dinheiro para você. Prostitutas como você merece ficar longe de homens casados. Se alguém souber disso, fecho sua loja em um segundo.
A raiva se expandiu no meu coração.
-Tenha uma boa tarde.
Any entra na loja.
Any me vê chorando.
-O que aconteceu?
-Klaus voltou.
-Espera um minuto. Katy vamos desenhar lá no fundo, pode pegar os lápis. A tia já vai.
-O quê? Esse idiota voltou.
-A mãe veio aqui.
-Você esta com ele?
-Sim, encontrei no sábado. Pediu desculpas e eu perdoei.
-Ele não vai te assumir.
-Minha filha precisa do pai.
-Você quase perdeu sua filha naquele dia. Você pirou Yidish? Vou voltar para casa de minha mãe. Não vou ficar alimentando sua ilusão. Fique com a casa!
Any arruma as malas.
-Por favor, não vá.
Any olha para a Katy.
-A tia te ama. Espero que sua mãe não erre mais. Adeus.
Any sai e eu fiquei sem reação de ir atrás.
Klaus aparece mais tarde em minha porta. Katy estava na casa de uma amiga.
-Posso entrar?
-Não, Any foi embora.
-Yidish, vou ter que ir, mas de madrugada passo aqui. Preciso ficar com você.
Na mesma tarde fui buscar Katy no caminho, esqueci de pegar uns tecidos na loja de um amigo. Ao passar na loja vejo Klaus e sua mulher juntos, ele segurava sua mão e depois a beijava.
Fiquei surpresa, ele não disse que eram infelizes?
-Katy, fique na loja eu já volto. O tio John irá te observar.
-Aonde você vai Yidish, está bem?
-Já volto.
Fui ao encontro deles.
-Quer dizer que você está infeliz com sua mulher?
-Saía daqui, você é louca. Você tem sangue ruim, é uma vagabunda qualquer. Não tenho contato com você.
Vi ódio no rosto de Klaus.
Sai desesperada.
Foi o pior caminho para casa. Peguei Katy e ela me perguntava porque do meu choro.
-Mãe, não chora.
Uma semana depois.
As vendas estão cada vez piores. As clientes não iam mais na loja.
Entra um soldado com semblante de ódio.
-Tenho uma ordem de despejo. Ou você fecha a loja em uma hora ou fazemos nós.
-Meu senhor, tenho uma carta.
O soldado Lê a carta.
- Isso não é mais valido. Aconselho você fechar esse estabelecimento rapidamente.
Entrei em desespero. Era o fim, Klaus me odiava, minha loja foi proibida de funcionar. O que eu ia fazer?
Ainda bem que ainda tinha minha filha.
A loja foi fechada.
Semanas depois
Tinha reservas no banco, mas era proibida de sacar.
Guardei dinheiro em casa, era pouco e meu medo seria quando acabasse.
-Mãe, estou com fome.
-Tenho biscoitos.
-Não aguento comer biscoito.
-O que iremos fazer?
Gritei ao léu.
Um soldado bate na porta com tanta força que assusta Katharine, que sai correndo para o quarto.
-Boa tarde, senhora Yidish. Tenho uma carta do governo para você. Irá para um campo trabalhar para o governo. Como está precisando de emprego é uma ótima oportunidade.
Precisa de um emprego. Qualquer coisa servia.
-Você irá para um campo. Próxima saída será amanhã de manhã.
Yidish desconfia da bondade daquele soldado, mas prepara as malas.
Tudo será melhor do que viver naquela cidade, a qualquer momento poderia ver Klaus e não saberia o que fazer, sua raiva era explosiva.
-O país está precisando de gente para sustentar a economia. A presença de você será necessária.
-Obrigada. Até amanhã.
Nunca desejei que o tempo não passasse.
-Mãe, a gente vai viajar?
Katharine abraça Yidish.
-Filha, você sabe que sempre vou te amar.
-Mãe, sou o seu pedaço lembra? Você é a mãe mais incrível que conheço.
-Estamos juntas e ficaremos sempre juntas.
Dia seguinte
Era um dia nublado, a vizinhança inteira estava na rua. Vi a se malas, cães, crianças na calçadas e vários soldados revistando tudo. Achei estranho pensei que a proposta era só minha.
Segurava as mãos de Katy com força.
-Mãe, estou com fome.
-Filha, calma. Tenho bolachas na bolsa.
Ao pegar a bolsa, um soldado joga no chão.
-Não é para comer nada agora. Serviremos comida para vocês.
-Minha filha morrerá de fome.
-Foda-se sua filha.
Um homem de terno e gravata vai em direção à elas.
-Senhora Beker, sua filha ficará sob a minha guarda.
-O que você fará com ela?
Tiraram Katharine do meu colo. Os gritos da pequena assusta as pessoas que esperam.
O homem de terno leva para um carro minha pequena Katharine.
Corro atrás do carro, mas dois cachorros dos soldados vão atrás e me mordem. Me arranhavam, eu gritava e ninguém ajudava.
Um soldado me pega pelo braço todo sanguentado e me joga em um caminhão às forças.
Sexto
Um soldado fica ao meu lado.
-Minha filha, você viu?
Ela não responde. O caminho era longo, não sabíamos aonde nos levava. Eu fiquei sem reação depois que tiraram Katy de mim.
Quando iria ver os olhos azuis e o cabelo loiro lindo que só ela tinha, olhos que lembravam seu pai.
Comentários de várias pessoas no caminhão. Enquanto estava deitada sentindo dor das mordidas, mas ouvia com clareza.
-O mundo será melhor sem essas prostitutas, por isso pegaram a filha dela. Isso suja a forma da criação de uma pequena criança. Com certeza ela esta indo com a gente, mas fará trabalho escravo enquanto trabalharemos com dignidade.
Eu virava de dor. E pensava. "Cadê minha filha? Por que tive um caso com aquele imbecil"
Estava cansada, sonhei naquela noite casando com Klaus.
O sonho era movido em um casamento com toda minha família, meus pais estavam lá, minha filha, Any. Klaus estava vestindo um terno branco e eu um vestido muito lindo. Mas o altar parecia longe quanto mais andava parecia que não tinha fim, corri e quando cheguei a Klaus não estava mais de branco e sim todo de verde e com um fuzil na mão.
"Você é uma prostituta. Nunca mais chegue perto de mim".
Todos do casamento gritavam: "Vadia" e jogavam lama em minha cara.
Acordei.
Todos foram levados para fora do caminhão, de novo foram revistados. Uns desmaiavam de fome, crianças choravam.
Fomos levados à forças para um trem velho que cheirava mal.
Não tinha nenhuma reação. Nada era tão pior do que passei nos últimos meses. Entrei sem ordem nenhuma no trem. Vi mães com filhas e só lembrava de Katharine.
Onde será que minha pequena está?
Horas depois
Via pelas frestas do trem um lugar amplo, parecia um campo, via pequenas residências.
Ao chegar, vi inúmeras pessoas via inúmeros soldados, mulheres idosos e crianças para um canto, homens do outro.
Era muita gente.
Ao ficar no grupo das mulheres, uma mulher negra, com traços fortes falou:
-Oi, você acredite em um mundo melhor?
-Eu não acredite em mais nada. O que será que faram com a gente?
-Estão levando as crianças e idosos para outro lugar. Você tem filhos?
-Não (foi a primeira resposta, não queria que ninguém soubesse que minha filha era fruto de um relacionamento adúltero). E caso ela estivesse lá eu não queria separar dela.
-Que bom! Seria horrível ter que se separar de um filho neste momento.
Nosso grupo foi levado para um chaleiro próximo. Quando vi camas de madeira, o lugar escuro, comecei a chorar.
"Minha filha, o que ela pensará de mim? Que sou uma vadia que saí com um homem casado.
Ela tem que saber quem é o pai dela. E se ele querer fazer mal à ela? Ele diz que tenho sangue ruim...
Sou segurada pelas mãos depois de tanto chorar. Por aquela mulher que perguntou se eu possuía um filho.
Ela fala:
-Meu nome é Dorah, vamos ser forte. Se eles querem a gente aqui, vamos mostrar nossas forcas. Se Deus quer assim, quem é a gente para duvidar?
-Por quê? Será que existe Deus? Por que há tanta maldade neste mundo?
-Não saberei responder. Mas vou arrumar forças para confiar nele.
Estou pagando por tudo o que eu fiz.
-Vamos dormir, você esta cansada.
-Não quero morrer aqui. Será uma injustiça.
-Calma, você não morrera.
Manhã seguinte.
Aquele lugar parecia um celeiro. Era a única acordada. Era cedo o dia não tinha amanhecido, mas o cheiro me incomodava demais. E resolvei seguir em frente, do que adianta chorar, agora estava só e ia me dedicar a tudo isso, mesmo que não durasse um dia.
Sétimo
Cada segundo era uma tortura. Falava de manhã com uma pessoa e não via mais. Não sabia como sobrevivia daquele jeito, tinha uma força única e os soldados notaram essa força e me mandaram para um serviço de limpeza de banheiro. Era eu e Dorah.
-Bom dia.
Oi.
Não tinha mais o mesmo carisma Depois de tudo que vi, gente morrendo de fome, sendo espancada por fazer algo errado. Nada me fazia sorrir, queria só sair dali.
-Você sabe que ainda tenho esperança de sair daqui. Minha família está em outro país. Meu filho mora com minha mãe, não sei onde estão. Mas quero saber. Quero sobreviver aqui. Tenho certeza que sairemos dessa. A guerra vai acabar.
-É...
Não queria falar com ninguém.
-Estou com fome. Sei de um lugar que serve comida boa para os soldados.
Vou lá e volto com comida.
Pensei, "Essa aí, é mais uma louca". Voltou rápido com uma sacola cheia de comida.
-Viu.
-Você roubou? Irão pegar a gente.
-Não roubei. Conheci um soldado que me ajuda...Estou conhecendo ele melhor.
-Está se prostituindo por comida?
-Não estou, gosto dele. Aqui, quem sobrevive não é o mais forte. Falando nisso, você esta tão magra. Não quer fazer a mesma coisa, conheço muitos soldados que iriam se apaixonar por você.
Não, obrigada. Você é nojenta.
Sai com raiva de Dorah.
-Pelo menos coma esse frango.
Dorah foi atrás de mim. Minha fome era forte que não resisti.
Ao entardecer, estava caminhando com saco de lixo. Vejo um soldado sozinho chorando. Aquela cena me fez lembrar de Klaus. Onde ele pode estar? A raiva surgiu em meu pensamento.
-Desculpe, sei que não sou a melhor pessoa para te ajudar, mas se algum soldado ver você assim você tornará um de nós.
-Não deveria responder você, mas esse lugar não é para nenhum nós.
-Vim para cá e tenho esperança de voltar para encontrar...
Pensei, não posso falar de minha filha.
-Deixei família para servir este país, mas estou mantando inúmeras pessoas. É Injusto! Você sabe o motivo disso tudo?
Olho para ver se não estamos sendo observados.
-Preconceito. Vim por um erro. Vou te contar, tive um caso com um soldado alemão. Como confessei para sua família nosso caso, alguém denunciou minha loja e me trouxeram para esse inferno.
-Você foi conquistada por um idiota.
A família dele me odeia. Até apanhei do pai dele.
-Esse mundo já era. E eu estou ajudando ele acabar cada vez mais.
-Sempre me pergunto se Deus existe, mas olho para isso e não vejo milagre.
De repente, um carro cheio de soldados chega. E finjo tirar grama do chão enquanto o soldado finge mandar em mim. Os soldados saem.
-Meu nome é Hilton, qualquer coisa estou no dep. 5, se quiser comida boa deixarei na janela em uma caixa de sapato, mas não deixe ninguém saber. Confio em você, mas se descobrirem vai ser nós dois para o inferno literalmente.
(risos)
Oitavo
No mesmo dia a noite, o soldado deixou comida.
- Tenho uma chance de você tomar um banho quente. Vá colocar meus trajes de soldados. Tem que ser rápido! Não vou deixar ninguém entrar.
Estava com medo, fui mesmo assim e confiei nele. Enquanto tomava um banho quente, que foi o melhor banho do mundo.
O soldado conversa baixo comigo.
Sabia que eu era cabeludo?
Não cortava meu cabelo para nada.
Ri muito
-Eu era!
-Tenta rir com voz de homem. Senão, vamos parar de viver.
Engrossei a voz.
-Ah, quando eu era mais nova eu costurava.
-Para um soldado, você têm muitos dotes.
Rimos.
Rapidamente sai do banho. E voltei a colocar meus trajes sujos.
-Obrigada.
Ele me beija.
-Desculpe, mas você não merece estar aqui. Vou fazer de tudo para tira-la.
Sai correndo antes que alguém me visse, mas no caminho vejo distante uma pessoa que já a conhecia, mas voltei para o quarto.
Na mesma manhã vi minha amiga com umas marcas roxas no rosto e seu nariz sangrando.
-Você apanhou?
-Não eu cai.
Vamos ao banheiro.
Lavei o sangue do nariz dela.
-Acho que ele gosta de mim?
-Ele quem?
-Um soldado. Só que ele é violento. Não admite que sou dele. Me proibiu de falar alto quando estamos juntos. Ninguém pode saber. Ele vai casar comigo aqui no campo. Quer ser a madrinha do nosso amor?
Gemia de dor.
Ela estava tonta e falava muita coisa desconecta.
-Você pirou?
-Eu estou morrendo. Estou nem aí, quero sair daqui antes.
-Ele é o homem da minha vida.
Ela saiu correndo morrendo de dor, segurando a barriga. Gritou:
-Lá, Yidish. Ele esta lá, não é lindo.
Vi e reconheci. Era Klaus, Estava mais forte e tinha um aparência triste.
-Aquele é o cara que te bateu?
-Sim, vou até ele dizer que o amo.
-Não faça isso! Irão te matar.
Ela saiu em direção do grupo de soldados.
Fiquei escondida, sabia que poderia acontecer o pior.
-Oi, meu amor.
Klaus se assusta. E puxa pelo braço, a joga no chão, chuta a sua cabeça. Vários soldados ajuda bater até a morte.
A pior visão que tive. O homem da vida dela, foi o homem da minha vida. Poderia ter sido eu.
Senti mais nojo de Klaus.
"Como assim? ele batendo em uma mulher."
Sai correndo.
Espero que ninguém saiba que conversava com Dorah.
O pior é saber, que ele e eu tivemos um caso. E que possuo uma filha com este monstro.
Na mesma tarde, fui lavar o banheiro dos soldados. Meu amigo estava lá. Mas não olhei nenhum segundo para ele, se soubessem a nossa amizade acabaria que nem a Dorah.
Todos os soldados saem, meu amigo passa por mim e discretamente recebo um papel de sua mão.
Limpe e retornarei com comida.
S.H
Fiquei apreensiva.
Um tempo depois.
Sozinha, ouço um toque na porta do banheiro.
-Oi, você está bem?
-Sim.
-Pensei em você manhã toda. Trouxe comida.
Ao ver que três soldados entra para verificar o banheiro, escondo a comida no balde de lixo. E vejo que um dos três soldados era Klaus.
Depois de todo sofrimento, nossas trocas de olhares foram assustadoras para as duas partes.
Nunca senti tanto medo.
-Podem se retirar, ficarei observando. Disse Klaus.
Expulsando todos do lugar.
-Sargento Klaus, serviço de vigia não é para sua função.
-Não faz mal, farei isso. Fique observando lá fora. Soldado Hilton, por favor fique.
-O que faz aqui soldado Hilton?
-Sargento, verificando o serviço.
-Sua função não é mais esta. Saia daqui. Se eu ver você com esta mulher você vai sofrer consequências.
Klaus pega no braço de Hilton e tira ele com forças.
Klaus estava com rosto vermelho.
Fico nervosa. Mas não falo com Klaus.
Klaus me observa.
Ele esperou que eu acabasse o serviço. Não trocamos nenhuma palavra.
Ele saiu.
Esperei Hilton voltar, mas nada dele. Vejo grupo de soldados do batalhão e não o vejo.
Na manhã seguinte, fui limpar o banheiro dos soldados. Klaus fez questão de me acompanhar.
Choro, mas não deixo transparecer e continuo o trabalho.
Klaus fica na porta e não tira os olhos de mim.
Ao olhar seu rosto, lembro de minha filha. Os dois se parecem.
"Onde ela poderia estar?"
-Eu vim por você. Sabia que ia parar aqui.
Fico calada.
-Sabia que você ainda estava viva. Você é forte.
A vontade era brigar com ele e dizer que tínhamos uma filha, que fui conquistada por ele, que sentia nojo dele.
Klaus me deu um abraço. Fiquei incomoda e com medo. Ele cheirava álcool.
-Pare, Klaus. Você esta me machucando.
Ele me abraçava forte.
-Vamos sair daqui. Tiro você, não aguento mais.
Klaus chora desesperado.
-Você ficou louco? Vão nos pegar.
Um soldado vê a cena.
Saiu correndo e avisa sobre o que viu a um soldado.
Vários soldados vem até nós.
-Saia daqui. Disse um soldado. Para Klaus.
O soldado aponta uma arma para nos.
Klaus não me largava.
Puxei seu braço e sai correndo. Dois soldados me pegam.
Se aproximam de Klaus.
-Olhe, o seu amorzinho. Ele desrespeitou as regras e não representará o que queremos para a nossa sociedade.
Ouço a conversa. Enquanto apontam uma arma na cabeça dele.
Chega um homem de terno.
-Klaus, sei que você adora mulheres, mas um soldado ouviu você dizer em fugir daqui. Você recebeu uma carta com destinatário de sua família, como é ordem do governo, lemos a sua e vimos que a senhora Yidish e você tiveram um caso antes daqui e por isso queremos que fale imediatamente com o representante do governo.
Aqui está a carta.
Olá, meu filho.
Seu pai está doente. E eu quero pedir perdão, caso você leia está carta. Conheci Yidish, você tiveram um caso e eu na época ofereci dinheiro para ela se afastar de você. Você me perdoa. Preciso conversar pessoalmente tenho algo muito sério para falar.
Me perdoe.
Senhora Klaus
-Eu não tive nenhum caso com esta vadia.
-É mentira!
Disse outro soldado.
-Esse imbecil gosta desse tipo de mulher, quer sujar mais a nossa raça. Além de tudo está bêbado em serviço. Tire ele e está mulher daqui.
Klaus foi pego às forcas e recebe socos na barriga por inúmeros soldados.
-Pare! Não bata nele.
Eu disse.
Vi eles batendo em Klaus, corri em direção a eles. Entrei em desespero.
Um soldado me pergunta.
-Senhora Yidish, você tem comunicação com este soldado?
Mostra Klaus todo ferido.
-Aqui dentro não.
-Você esta mentindo, e mesmo que fosse lá fora ele sujou nossa geração e as próximas.
Levo um tapa na cara e caio.
-Namorei com ele, mas faz muito tempo.
-Eles tiveram um caso mais sério. Você tem filhos com ele?
-Tive um menino.
Menti o sexo de minha filha, se ela estivesse viva iria proteger.
-Qual nome da criança?
Hilton, 3 anos. Mas ele está com a avó materna.
Klaus me olha inconsciente.
Klaus leva mais chutes.
-Você é um lixo, você suja nossa raça tendo um caso com essa mulher.
Os soldados levaram nos dois para um casebre, nos joga dentro e fecha com força.
Eu estava quente. Meu rosto sangrando e Klaus contorcendo de dor.
Desejei tanto estar com ele, mas não desse jeito. Ele sempre foi tão forte.
-O que eu vou fazer aqui sozinha?
Me aproximo dele. Deixo ele encostar a cabeça em meu colo.
-Você não pode morrer tem que conhecer... Sei que você é um homem bom...
-Me perdoa, por tudo o que eu fiz...Eu sou um cara ruim, não enxergo as pessoas como você enxerga. Matei muita gente por orgulho. Me tornei aquilo que nunca...quis ser...estou pagando tudo pelo o que eu fiz.
Grita de dor.
-Eu sempre quis ficar do seu lado.
-Sempre fiz o que meus pais quer queriam que eu fizesse.
-Por que a vida é tão injusta?
Grito.
-Você foi a única que me conheceu de verdade.
-Você não deve mais fazer o que os outros querem que você faça. E sim o que realmente quer.
-Agora não vou conseguir resolver.
Ele estava apagando os olhos.
-Não feche os olhos você ficará bem. Não...
Klaus morre no meu colo.
-Só quero que saiba que eu ainda te amo. Eu te perdoo. E se um dia eu sair daqui, vou dizer a Katherine o quanto você foi especial para mim e que se arrependeu.
Ele morre.
Fico só eu e seu corpo. Ouço falas lá fora.
-Tem alguém aí? Me ajude.
A porta é arrombada com força.
Me tiraram do casebre. Estava fraca. Não comi desde ontem, e o tempo com corpo de Klaus não sabia quanto tempo eu duraria ali.
Levaram o seu corpo para longe.
Eram outros soldados.
Me sento aliviada.
Um soldado me segura calmante.
-Você sairá daqui.
Vejo que não eram soldados alemães.
Ele aponta para o corpo de Klaus.
-Tivemos um caso. Bateram nele.
O soldado fala com outro que traduz o que eu digo.
-Por que se envolveu com ele?
-Tive um filho com ele.
-Ele te conquistou?
-Acreditei na bondade dele. Só que o mundo o fez ruim.
-Vocês vão me levar para casa?
-De qual cidade você é?
Sou da Alemanha.
-Pode escrever o endereço?
Me colocam na maca. Sinto dores.
-Infelizmente, teve um bombardeio, no seu bairro semanas atrás. O ficou destruído.
Me desespero. Grito. Sinto que vou desmaiar.
-Cadê minha filha? Será que ela está bem?
Meu corpo começa a relaxar e eu morro.
Nono
Acordo em uma maca e em um quarto de hospital branco e limpo.
-Oi, bom dia senhora Yidish Becker.
Uma enfermeira muito sorridente.
-Um a gente quer falar com você.
Chega um homem com aparência calma.
Oi, sou o senhor João. Venho em nome de sua filha.
-Antes da guerra atenuar crianças foram adotas para outros países por segurança. ainda mais filhas de soldados.
-Como assim? Ela é minha também. Vocês não podiam ter levado ela. Ela tinha meu sobrenome.
-Senhora Beker. Foi por questão de segurança.
-Nunca mais vou vê lá?
Passo mal.
Os médicos vão até mim. Tentam me animar mas apago.
TUDO ESCURO
Estou sozinha.
-Ninguém me ama.
Digo.
Uma luz aparece.
Vejo duas sobras vindo em minha direção. Apontam para uma porta.
Abro.
É um bosque lindo. Olho para seus braços e não encontro nenhum arranhão. Minhas mãos estão lindas. E me pergunto quanto tempo fiquei apagada.
Que lugar é este?
Vejo se as duas pessoas que me trouxeram estão aqui.
- Alguém aqui?
Estava vestida de branco, minha saia balança conforme o vento. O lugar transmitia paz.
Vejo um homem de branco sentado que se levantam ao me ver.
Eu reconheço aquele homem, só que não sei de onde ele é.
Se aproxima mais jovem e com traços mais felizes.
Estende os braços para mim. Sento e ficamos nos olhando por um bom tempo.
Ele segura a minha mão.
-Aqui e o paraíso?
Pergunto.
-Aqui realmente é.
Dou risada.
-Estou me lembrando de você...Não pode ser, Klaus?
Ele confirmou com a cabeça.
-Eu duvidei de tudo isso. Eu te perdoou. Se eu não falasse nada, com certeza não iriamos para aquele campo. Me sinto culpada.
Você também foi para lá por minha culpa.
Caíram lágrimas no rosto de Klaus.
-Você sabe sobre minha...nossa filha?
-Eu a vejo. Esta bem. Reza por você todas as noites. Ela é linda.
-Pergunta de mim?
Choro.
Klaus coloca a mão em minha cabeça.
-Odeio o que fiz com vocês. Me culpo, deveria ter sido um homem melhor...
-Não precisa se culpar.
Queria ter sido um bom pai para ela. Deveria ter falado com a minha mãe, aquela carta eu recusei. Com certeza era para falar de Kathy.
Ficamos em silêncio olhando para o horizonte.
-Vou voltar para terra. Fiquei um grande tempo no escuro. Agora estou pronto.
Ele segura minha mão.
-A gente vai se ver?
-Dependerá de você.
-Não seja tão mal quando voltar.
-Sempre me culpo pelo o que fiz.
Também fiquei no escuro.
-Vou te esperar, quando se sentir sozinha, lembre- se que estarei pensando em você.
Nos abraçamos.
Klau caminha em direção ao Horizonte.
Respiro fundo aliviada.
-- - -
-Estou grávida!
-Este vai ser forte.
A mãe faz carinho na própria barriga.
Um choro de bebem
-Ele é lindo.
-- - -
-Grávida? Meu deus? O que faço?
-É uma menina!
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